Ultrassonografia Point‑of‑Care no diagnóstico da dispneia aguda em adultos
revisão sistemática
DOI:
https://doi.org/10.37951/2675-5009.2026v7i19.187Palavras-chave:
Diagnóstico, Pneumotórax, Pneumonia, Edema pulmonar, Dispnéia aguda, Ultrassonografia point‑of‑care, EmergênciaResumo
Introdução: A dispneia aguda é uma causa frequente de atendimento em emergência, associada a doenças cardiopulmonares graves. Métodos tradicionais de imagem apresentam limitações diagnósticas e operacionais. Nesse contexto, a ultrassonografia point-of-care (POCUS) surge como ferramenta rápida, segura e realizada à beira do leito. Protocolos como BLUE e FATE têm demonstrado utilidade na avaliação cardiopulmonar e no direcionamento terapêutico em pacientes com dispneia aguda. Objetivos: Avaliar a eficácia da ultrassonografia point-of-care (POCUS) no diagnóstico da dispneia aguda em adultos, comparando-a com métodos convencionais de imagem e analisando seu impacto em desfechos clínicos relevantes. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática de acordo com as diretrizes PRISMA, com busca nas bases PubMed, Google Scholar e repositórios de acesso aberto até janeiro de 2026. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais e meta-análises que avaliaram o uso da POCUS em adultos (≥18 anos) com dispneia aguda em cenários de emergência ou terapia intensiva. Os desfechos analisados incluíram tempo até o diagnóstico, tempo até o início do tratamento, sensibilidade, especificidade, proporção de terapias adequadas, mortalidade e duração da internação. Resultados: Treze estudos, totalizando 5.393 participantes, atenderam aos critérios de elegibilidade. A utilização da POCUS reduziu o tempo até o diagnóstico em aproximadamente uma hora e antecipou o início do tratamento em cerca de 30 minutos, associando-se a uma redução média de 1,27 dia na permanência em unidade de terapia intensiva e a maior probabilidade de prescrição de terapia adequada¹. Nas principais causas de dispneia, a ultrassonografia demonstrou sensibilidade superior à radiografia de tórax: na pneumonia adquirida na comunidade, apresentou sensibilidade de 0,95 e especificidade de 0,90²; no edema pulmonar cardiogênico, sensibilidade de 94% e especificidade de 92%³; e no pneumotórax traumático, sensibilidade de 83% e especificidade de 99%⁴. Não foram observadas diferenças significativas em mortalidade ou taxas de readmissão. Conclusões: A ultrassonografia point-of-care mostrou-se uma ferramenta eficaz no diagnóstico inicial da dispneia aguda, com redução do tempo de atendimento, aumento da proporção de terapias adequadas e elevada acurácia para pneumonia, edema cardiogênico e pneumotórax. Sua ausência de radiação ionizante e baixo custo reforçam a justificativa para incorporação em protocolos de emergência. Programas estruturados de capacitação e padronização são fundamentais para otimizar seu uso clínico.
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