Carcinoma mamário invasivo triplo-negativo versus não triplo-negativo
comparação de características clínico-patológicas, perfil terapêutico e desfechos em coorte hospitalar
DOI:
https://doi.org/10.37951/2675-5009.2026v7i20.206Palavras-chave:
Ki-67, Neoplasias de mama triplo negativas, Prognóstico, Quimioterapia neoadjuvante, Subtipo molecularResumo
Introdução: O carcinoma mamário triplo-negativo (CTN), definido pela ausência de expressão dos receptores de estrogênio, progesterona e HER2, constitui um subtipo molecular de comportamento agressivo e prognóstico desfavorável. Sua caracterização em coortes institucionais brasileiras contribui para a compreensão das particularidades locais da doença. Objetivo: Comparar as características clínico-patológicas, o perfil terapêutico e os desfechos clínicos entre pacientes com carcinoma mamário invasivo triplo-negativo e não triplo-negativo em coorte hospitalar do Centro-Oeste brasileiro. Métodos: Estudo de coorte retrospectivo com 97 pacientes com carcinoma mamário invasivo confirmado (excluídos casos de CDIS). Os grupos triplo-negativo (n=15) e não triplo-negativo (n=82) foram comparados quanto a características sociodemográficas, tumorais, moleculares, terapêuticas e desfechos (óbito e recidiva). As comparações foram realizadas pelo teste exato de Fisher para variáveis categóricas e pelo teste de Mann-Whitney para variáveis contínuas, com nível de significância de 5%. Resultados: O CTN correspondeu a 15,5% da coorte (n=15). O grupo triplo-negativo apresentou Ki-67 médio significativamente mais elevado (54,0% vs. 15,5%; p < 0,001) e maior proporção de tumores grau 3 (40,0% vs. 9,8%; p = 0,007). A quimioterapia foi realizada em 93,3% dos casos triplo-negativos vs. 51,2% dos não triplo-negativos (p = 0,003), com uso predominantemente neoadjuvante (93,3% vs. 22,0%; p < 0,001). Nenhum paciente triplo-negativo recebeu hormonioterapia, em contraste com 90,2% do grupo não triplo-negativo (p < 0,001). A proporção de óbitos foi significativamente maior no grupo triplo-negativo (26,7% vs. 2,4%; p = 0,005), assim como a de recidivas (26,7% vs. 6,1%; p = 0,030). A curva de Kaplan-Meier demonstrou sobrevida global inferior no grupo triplo-negativo (log-rank p = 6,32 × 10-4). Conclusão: O carcinoma mamário triplo-negativo associou-se a maior proliferação tumoral, maior uso de quimioterapia neoadjuvante e piores desfechos clínicos em comparação com os demais subtipos. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias diagnósticas e terapêuticas específicas para esse subgrupo na prática clínica regional.
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